Quando eu era criança, meu pai precisou recorrer ao Judiciário para recuperar um bem que havia vendido e não recebeu o pagamento. Lembro de ouvir, com admiração, os relatos sobre a profissional que o auxiliava naquele processo e sobre a forma como ela conduzia o caso com raciocínio e firmeza. Ao final, meu pai conseguiu recuperar o bem, e aquela experiência marcou profundamente a minha percepção sobre o papel que o conhecimento técnico pode desempenhar na materialização da justiça.
Com o passar dos anos, escolhi a contabilidade como formação acadêmica. Na época, eu ainda não tinha plena dimensão das possibilidades da profissão. Foi somente ao ter contato com a perícia contábil que compreendi a profundidade dessa atuação.
Na perícia, o Direito, a contabilidade e a análise técnica dos números se encontram. O trabalho do perito exige interpretar documentos, reconstruir fatos econômicos e apresentar conclusões técnicas capazes de auxiliar o juízo na compreensão de questões complexas.
Foi nesse ambiente que encontrei a área na qual atuo há mais de doze anos. Ao longo dessa trajetória, aprendi que a perícia contábil exige não apenas conhecimento técnico, mas também responsabilidade, rigor analítico e compromisso com a clareza dos fatos.
Mais do que uma atividade profissional, a perícia representa a possibilidade de contribuir tecnicamente para a correta compreensão dos fatos e para a formação de decisões judiciais fundamentadas. É essa responsabilidade que orienta e sustenta o meu trabalho até hoje.